chasseurs perdus dans les grands bois

Adriano Rangel

20.06 17h00 – 25.07.26

Curadoria: Ana Alvim e André Lemos Pinto

OS CAÇADORES PERDIDOS NOS GRANDES BOSQUES, OU:

DAS CONSTELAÇÕES

As obras que aqui se apresentam constituem uma colecção onde coexistem várias linguagens, produzindo um cruzamento de fronteiras onde se opera, simultaneamente, uma evocação do desenho, da fotografia ou do design da imagem. São, como diria W. J. T. Mitchell, uma “viragem pictórica” (pictorial turn), passando a ocupar, na produção do conhecimento, um papel tão importante quanto a própria linguagem artística. 

 Nestas imagens, surgem construções de diferentes tempos e lugares que contribuem para uma memória histórica, onde se estabelece uma relação entre pensamento, imagem e visualidade – esta visualidade resulta, ainda, da relação entre visão, representação e poder, desafiando o espectador para uma leitura daquilo que se vê e daquilo que se oculta.

São trabalhos onde existe uma relação temporal não linear, uma complexidade, uma interrupção do tempo e uma recriação do passado. Assim, pensando com Walter Benjamin, podemos concluir que aqui encontramos constelações de ideias que se formam e concretizam em imagens: “uma imagem dialética é aquela em que o Passado encontra o Agora, num instante, formando uma constelação”. [1]

 Na imagem do lobo que uiva, podemos evocar Charles Baudelaire, para quem os artistas são caçadores perdidos, errando na vida como se se encontrassem numa grande floresta, entre pesadelos de coisas desconhecidas. A arte é como um eco em fuga por mil labirintos e o artista surge como um caçador perdido nos grandes bosques – “un appel des chasseurs perdus dans les grands bois!” [2].

UIVAR DOS LOBOS*
Isto não é o fim do mundo
sem alarido o uivar dos lobos
em contagem regressiva.
Da lua cheia.
Ir de um lado ao outro
dos extremos da orla do bosque
iluminado por essa luz de
esplendor. Dádiva da natureza.
A condição de sermos livres
faz de nós humanos 
sem algemas nos pulsos.
* AR_2020

Adriano Rangel. Porto, junho 2026

[1] Walter Benjamin, “Paris, capitale du XIXème siècle – Le Livre des Passages“, P.491, Éditions du Cerf, 2006

[2] Charles Baudelaire in “As Flores do Mal”, poema “Les Phares”, P.64; 3ª edição, Assírio e Alvim, Lisboa, 1992.

Adriano Rangel (CV abreviado)

A nível académico

Doutoramento em Design na Universidade Porto. Com a tese “ A imagem documental na construção de uma memória cultural futura”(2009);

Foi docente na Faculdade de Belas Artes do Porto, onde exerceu entre outras funções:

Director do Doutoramento em Arte e Design;

Director do Mestrado de Design da Imagem;

Director do Departamento de Design.

A nível artístico:

Um dos membros fundadores do grupo de vídeo arte, “VideoPorto”;

Prémio Nadir Afonso de desenho, Bienal de Arte Jovem;

Prémio Fundação Engenheiro António de Almeida;

Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian durante 4 anos;

Expôs individual e colectivamente.

A nível profissional

Fundou e dirigiu, durante 26 anos, o grupo de design, “Isto É Comunicação Visual”,  com desenvolvimento de projectos em Portugal, Bélgica e Itália; 

Foi um dos fundadores do grupo “Adoc design” em Bruxelas com o seu colega Guy Schockaert;

Publicou livro “Espelhos transparentes”, ensaio;

Publicou 2 livros sobre design da imagem, para a Porto Editora.

web: adrianorangel.com 

Instagram: www.instagram.com/atelier_arangel